Fotografia
de Aves
Por
Robson Czaban
Eu sou Robson Esteves Czaban, natural de Resende, estado do Rio de Janeiro – Brasil. Atualmente, trabalho e resido em Manaus, no Amazonas. Desde criança, sempre tive atração pelas aves. Eu comecei a dedicar-me a fotografá-las no ano de 1990, quando ainda residia e trabalhava em Brasília. Viajei para várias regiões do Brasil e fotografei muitas delas, principalmente do cerrado, Mata Atlântica e da região Norte da Amazônia entre o Rio Amazonas e a Venezuela, além do Pantanal e de lagoas do sul e litoral. Hoje, como resultado deste trabalho, eu possuo um arquivo particular com mais de 1000 espécies silvestres, brasileiras, fotografadas em liberdade, em seu habitat natural. Para contactar-me, favor enviar e-mail para: robson.czaban@hotmail.com
Como fotografar aves silvestres. Fotografar aves na floresta tropical amazônica requer, além de habilidade e bons equipamentos, muitas horas de campo, devido à própria estrutura da floresta (árvores muito altas, densamente folhadas e interior com pouca iluminação), que dificulta grandemente a visualização e até a localização de certos grupos de aves. Por conta disso, eu utilizo uma máquina digital manual/automática com lente zoom 28-430mm, que permite boa mobilidade, facilidade de foco, boa resolução de cores em ambientes escuros, além de permitir ver o resultado da foto logo após o disparo do obturador. Mas na maior parte da minha vida como fotógrafo utilizei equipamento analógico: lentes de 200, 400 e até 600mm, e negativos de 200, 400 e 800 ASA. Além de valiosa documentação científica, o meu trabalho tem contribuído para o registro de espécies ainda não catalogadas para o Brasil e, particularmente, para os Estados de Roraima e Amazonas. Meu acervo fotográfico tem sido utilizado para ilustrar publicações científicas, livros de aves, folders e material voltado para a Educação Ambiental.
Câmeras.
Modelos de câmeras para fotografar aves. Existem muitos modelos e marcas
no mercado, tanto câmeras analógicas (as convencionais) quanto
digitais. As câmeras podem ser manuais ou automáticas. Estas
últimas, por fazerem a regulagem de abertura, de velocidade, e o foco
de forma automática, permitem rapidez no uso, condição
fundamental na hora de se fotografar uma ave. Entretanto, tem que se tomar
um cuidado especial quanto ao foco. No meu trabalho de campo, eu tenho usado
uma câmera digital semi-profissional que faz o foco automático
e o manual. Os processadores que fazem o foco automático costumam se
“confundir” na hora de focar o objeto, particularmente se houver
muita informação na área focada, em planos diferentes,
como galhos e folhas. Isso pode provocar um erro de leitura e a máquina
fazer o foco antes ou depois da ave propriamente dita. Em qualquer um dos
casos, a foto sairia desfocada. Nestas situações, recomenda-se
o uso do foco manual. É preferível, por isso, adquirir equipamento
que permita tanto um tipo de foco quanto o outro, deixando a cargo do fotógrafo
a melhor opção para cada situação. Eu tenho trabalhado
com o modelo da Panasonic, a Câmera Lumix DMC FZ 50 12x e lente marca
Leica. É uma câmera muito boa, de baixo custo e de excelente
qualidade na imagem, que eu recomendo para quem gosta de fotografar aves ou
que está iniciando.
As câmeras digitais estão ocupando cada vez mais espaço no mercado fotográfico. São menos volumosas, mais leves, possuem facilidade de manuseio e de operação e as fotos são gravadas em meio digital, o que permite ao usuário manipular a imagem, apagar, alterar cores, fazer cortes, etc. Isso sem falar na economia de custo que é você não necessitar revelar todas as fotos que tira, podendo simplesmente apagar aquelas que não tenham ficado boas. Até pouco tempo eram muito mais caras que as câmeras convencionais e não tinham uma resolução de imagem muito satisfatória. Isso vem mudando rápido. Os preços já são competitivos e a resolução de imagem melhorou muito. Uma câmera com resolução de imagem acima de 4 ou 5 megapixels proporciona uma qualidade de imagem tão boa quanto um negativo de 100 ou 200 ASA, desde que a lente seja de boa qualidade.
Tanto num modelo quanto noutro, a necessidade de se aproximar bastante a imagem é fundamental. É recomendável que o equipamento adquirido possibilite a troca de lentes, permitindo a substituição da lente padrão por lentes que consigam aproximações maiores, em torno de 200 a 400mm ou até mais. Máquinas digitais costumam ter aproximações digitais, além da aproximação ótica. Entretanto, ao se utilizar a aproximação digital, a foto vai gradativamente perdendo resolução, o que não é muito recomendável, principalmente se o assunto requer uma boa definição de imagem. Tanto um quanto outro tipo de equipamento tem vantagens e desvantagens. Em boas condições de iluminação, o filme negativo proporciona cores mais reais e imagem mais precisa. À medida que as condições de luz vão piorando, o equipamento digital vai trabalhando melhor, corrigindo as sombras que surgem e reavivando as cores, mesmo sob pouca luz.
Outra vantagem das máquinas analógicas (convencionais) é o visor, tipo reflex, que dá uma visão mais detalhada da imagem a ser fotografada. Nas câmeras digitais, a imagem é processada e impressa numa tela, com uma riqueza de detalhes pequena que, às vezes, atrapalha e confunde o fotógrafo na hora de enquadrar e focar a imagem principal. Se você tiver acesso a equipamento digital que permita visualizar a imagem em visor analógico, dê preferência a este tipo de recurso. Outra vantagem do equipamento analógico em relação ao digital é o consumo de bateria. Na máquina analógica, a bateria tem poucas funções e, por isso, seu consumo de energia é baixo, o que faz com que a mesma dure muitas semanas, ou até meses, se a utilização for pequena, porque elas são de custo relativamente baixo. No entanto, quanto maior for o alcance de aproximação da lente, consideravelmente maior será o preço dela.
Já as máquinas digitais dependem totalmente das baterias, principalmente porque a gravação da imagem é um processo eletrônico, e não físico-químico, o que requer um gasto muito maior de energia. Na prática, isso faz com que a duração da bateria seja reduzida para poucas horas. E este tipo de bateria custa de 8 a 10 vezes mais. Assim, se você for passar alguns dias fotografando num lugar sem energia elétrica, leve bastante baterias de reserva, principalmente se o equipamento for digital.
O mesmo raciocínio vale para os cartões de memória. Como existe a facilidade de se apagar as fotos que não ficaram boas, o fotógrafo que usa equipamento digital tende a fazer muito mais fotos que aquele que usa filme. Isso traz dois novos problemas: um gasto maior ainda no consumo de bateria (apagar fotos também consome bastante energia) e uma falta de espaço nos cartões de memória, que se enchem muito rapidamente. Entretanto, a velocidade com que novos recursos digitais aparecem no mercado de um ano para outro nos permite prever que, em pouco tempo, aparecerão no mercado baterias de longa duração (como hoje ocorre com os celulares) e cartões com cada vez mais capacidade de armazenamento, eliminando de vez este empecilho. Minha opinião particular é que se você já tem um equipamento analógico, ainda poderá utiliza-lo por um bom tempo, desde que seja algo de qualidade. Mas se está pensando em comprar um equipamento novo, é bom já pensar em ter um equipamento digital.
Lentes.
Fotografar aves na natureza exige, sempre, o recurso de aproximação
da imagem. As aves são, em geral, pequenas, ariscas, agitadas, e costumam
ficar em locais que não temos acesso: copas de árvores, galhos
finos, árvores altas, áreas alagadas, penhascos, etc. Assim,
é fundamental que tenhamos em mãos lentes que nos permitam aproximar
a imagem que queremos eternizar. Existem muito mais opções de
objetivas para os equipamentos convencionais. Lentes que vão desde
120mm até 1000mm ou mais. Quanto maior o número, maior é
a capacidade de aproximação.
Uma lente 200mm, por exemplo, aproxima 4 vezes a imagem, em relação à sua percepção visual. Uma 400mm, aproxima 8 vezes, e assim por diante. Lentes a partir de 500mm costumam ser muito caras e muito escuras (abertura pequena do diafragma). Isso traz várias complicações para o fotógrafo: necessidade de uso de tripé (para a foto não sair tremida), dificuldade no manuseio dentro da mata (devido ao peso e à dificuldade de enquadramento), utilização de filmes mais sensíveis, acima de 400 ASA (para minimizar os efeitos da baixa luminosidade), e que são mais caros além de granularem mais que um filme de 100 ou 200 ASA. Para se utilizar na mão, sem tripé, eu recomendo que não se use nada acima de 400mm. Se for utilizar o equipamento em lugar aberto, com boa iluminação, pode-se optar por objetivas maiores, mas sempre com o recurso do tripé.
Existem versões digitais de máquinas profissionais consagradas, que permitem a utilização das lentes convencionais nos novos equipamentos digitais. Essa facilidade baratearia o custo de aquisição de um equipamento novo. É uma opção que deve ser estudada. Entre as máquinas exclusivamente digitais, que não permitem a troca das lentes, é difícil encontrar modelos que possibilitem grandes aproximações. Mas isso deve ser uma questão de tempo e o mercado provavelmente devera suprir em breve essa necessidade. Hoje já existem máquinas digitais que possuem zoom ótico equivalente a uma 430mm.Muito cuidado deve ser tomado com relação a poeira, mofo, umidade, chuva, pancadas e batidas em geral. Mais cuidado ainda se o equipamento for digital. Há uma espécie de consenso de que o equipamento digital é, no geral, mais frágil que o equipamento analógico. Há pouca gente especializada no mercado para fazer os reparos necessários, as peças são escassas e o preço é alto. Tripé ou monopé. O uso de um bom tripé, leve, firme e estável ou de um monopé, é fundamental para que a câmera fotográfica não balance durante o click. Lentes acima de 300mm requerem o uso destes equipamentos. Para lentes acima de 500mm, a sua utilização é obrigatória.
Flash
Acessório utilizado para compensar a ausência total ou parcial
de iluminação necessária à fotografia. Existem
flashes que são conectados diretamente na câmera e outros que
são móveis, ligados por meio de cabos. Os flashes convencionais
iluminam uma área de, no máximo, 10m de distância. Entretanto,
existem flashes profissionais que tem alcance superior a 20 metros. Dentro
da mata escura, é um acessório fundamental para que se obtenha
fotos com um colorido de qualidade, tanto para equipamento digital quanto
analógico. No trabalho de fotografar aves, o flash tem o inconveniente
de (às vezes) espantar a ave com o clarão que produz, e de exigir
um certo tempo entre um disparo e outro (que varia de 4 a 12 segundos), tempo
esse que parece uma eternidade quando se está esperando o flash carregar
para poder fotografar uma ave.
Os flashes modernos possuem regulagens para disparos em modo manual e automático. O modo automático, quando puder ser usado, tem a vantagem de fazer a leitura do local a ser fotografado mais rapidamente e determinar a quantidade de luz mais correta. Isso também diminui o tempo de carregamento entre um disparo e outro. Mas esse recurso funciona apenas dentro de um espaço curto, que na maioria das vezes não passa de 10 metros. E as aves que fotografamos costumam estar mais longe que isso. Além disso, é provável que entre o pássaro e o fotógrafo existam elementos como galhos, troncos e folhas que podem confundir a leitura do ambiente e fazer com que o disparo seja demasiado fraco para se iluminar o objeto principal da foto, que é a ave, resultando uma foto em que as folhas em primeiro plano se destaquem mais, apareçam bem bonitas, enquanto que a ave mais ao fundo fique num plano inferior, sem destaque. É por isso que, na maioria das vezes, o fotógrafo acabará optando pelo disparo manual. Esse disparo é com carga total do flash e não depende da distância do objeto nem da leitura do fotômetro. Mas transfere para o fotógrafo o trabalho de se determinar a abertura do diafragma compatível com a luz utilizada. Gasta mais bateria e demora mais para se recarregar o flash entre um disparo e outro.
Filmes
(uso em câmeras analógicas).
Os filmes podem ser de ASA 64, 100, 200, 400, 800 ou até mais. Os de
ASA 64, 100 e 200 são para fotos sob muita luz. Apresentam granulações
muito pequenas, o que lhes dão boa definição e cores
fortes e brilhantes. Já os de ASA 400 e 800 em diante, são filmes
para uso em ambiente de pouca luz, de penumbra, como o interior da floresta.
Embora permitam fotos com velocidades altas em ambiente de pouca luz, tem
o inconveniente de granular mais que os outros, não permitir grandes
ampliações e perder alguma definição de imagem
e colorido em relação aos filmes de ASA mais baixa. Para se
fotografar dentro da mata, eu recomendo a utilização de filmes
de 200 ou 400 ASA. Você consegue disparos mais rápidos com pouca
perda de colorido. Vale observar aqui que mesmo com o uso do flash é
interessante a utilização destes filmes mais sensíveis,
porque permite um alcance maior da luz disponível durante o disparo.
Esses metros a mais de iluminação podem fazer a diferença
entre uma foto boa, com a ave nítida na foto, ou uma foto em que se
perceba apenas o contorno do pássaro, sem que suas cores sejam registradas.
Digiscoping
É um método moderno de fotografar utilizando uma câmara
digital reflexa ou compacta, com o auxílio de um telescópio
ou, menos frequentemente, um binóculo. A projecção afocal
é um método no qual as fotografias são tiradas segurando
ou montando a câmara sobre a ocular do telescópio, ficando a
câmara no lugar do olho, e é o método mais comum associado
ao digiscoping. Apresenta várias vantagens, como baixo custo utilizando
câmeras digitais ou mesmo webcams, desnecessariando o uso de grandes
teleobjetivas; é compacto, o volume e peso de um adaptador e de uma
pequena câmara digital é praticamente insignificante.
Outras vantagens são a amplificação das distâncias
focais que são equivalentes a 2000 mm e superiores numa câmara
de película de 35 mm. A ausencia de vibração, pré
e pós visualização em tela de LCD que permite fazer enquadramento,
o foco e visualização da foto. As imagens são capturadas
em formato digital, podendo ser facilmente processadas ou editadas conforme
seja necessário, além de permitir focagem automática
por detecção de contraste pela câmara sendo útil
para a focagem precisa da imagem.
Ambiente
e características do trabalho.
Os locais para se fotografar certas espécies nem sempre oferecem boas
condições
para o fotógrafo. Certas espécies só são encontradas
em ambientes de difícil acesso e de difícil localização.
Às vezes é preciso percorrer longas distâncias a pé,
escalar morros, encostas, áreas alagadiças, se o fotógrafo
quiser mesmo tentar fotografá-la em seu ambiente natural. Para reduzir
a possibilidade de se machucar ou de danificar seu equipamento, é necessário
utilizar roupas que o protejam, bem como ao seu equipamento, tais como: bota
de borracha, calça comprida, chapéu ou boné, repelente,
protetor solar, saco plástico ou mala térmica e impermeável
para acondicionar seu equipamento. Durante as horas em que passar dentro da
floresta deve-se estar preparado para todo tipo de imprevisto: chuva, ventos
fortes, excesso de frio ou calor, mosquitos (e há uma infinidade deles:
carapanã, borrachudo, pernilongo, pium, pólvora, mutuca, meruim,
puri-puri), carrapatos, lagartas de fogo, lacraias, aranhas, escorpiões,
cobras, formigas, pedras soltas, galhos podres, raízes expostas, lama,
atoleiros, igarapés que sobem de repente, buracos, etc.
Embora as pessoas tenham mais medo de onças e cobras grandes, eu posso garantir que nunca tive problemas com esses animais, mas já me aborreci bastante com insetos, estes sim, os grandes “inimigos” do fotógrafo de vida selvagem. Na Amazônia ainda são comuns as doenças causadas por picadas de insetos como a malária, a febre amarela e a leishmaniose, sem falar em arboviroses que ainda nem foram batizadas. Assim, é recomendável que, ao se adentrar na mata, estejamos relativamente protegidos de picadas de insetos, tanto pelo uso de repelentes quanto pela não exposição de braços e pernas. Por isso recomendamos usar calças compridas e camisas de mangas compridas. É importante também nos integrarmos ao ambiente que estamos explorando. Ao escolhermos a cor do tecido das roupas que vamos utilizar é melhor dar preferência a cores compatíveis com o meio ambiente. Tons escuros de verde, marrom e cinza permitem bons efeitos de camuflagem dentro da mata. Nada de roupas coloridas e chamativas, como branco, amarelo e vermelho.
Nós estamos na mata para observar e não sermos observados. Em alguns casos, essa camuflagem permitiria até uma aproximação maior com o animal, o que seria muito útil na hora da foto. Existem no mercado roupas específicas para se entrar na mata, com estampas semelhantes àquelas utilizadas pelo exército, cujo efeito mimético é bastante satisfatório. Muito cuidado para não se perder na mata. Isso é mais fácil do que parece. Basta você sair da trilha para seguir uma ave qualquer, andar pra lá e pra cá atrás dela e, quando percebe, já não sabe mais de que lado veio, tomar o caminho errado de volta à trilha, ficando cada vez mais longe dela, piorando a própria situação. Se for andar na mata, procure um guia nativo, vá com alguém que conheça a região e as trilhas. Caso precise sair da trilha, deixe essa pessoa na trilha de forma que você possa se comunicar com ela quando estiver voltando e não corra o risco de se perder.
Se não puder levar alguém com você, use uma bússola ou GPS e marque o caminho que está fazendo. Se não tiver bússola, leve um terçado ou facão e vá assinalando o caminho de ida para não se perder na volta. É difícil encontrar pontos de referência dentro da mata. Não se arrisque. Se não puder fazer nada disso, fique na trilha que é mais seguro. Levar alguém com você tem outras vantagens além do simples fato de se perder. Entrar na mata para se observar ou fotografar aves é sempre uma aventura. Observando esses pequenos cuidados você pode garantir que essa aventura seja prazerosa e não se transforme num pesadelo, com riscos desnecessários.
Saindo
a campo para fotografar
Antes de sair a campo para fotografar, planeje cuidadosamente sua viagem.
Cheque todo o seu material: pilhas novas, baterias, filmes, máquina,
lentes, tripé, cartões de memória, repelentes, protetor
solar, capas de chuva, roupas e calçados apropriados, água,
comida, chapéu ou boné (para disfarçar a silhueta humana),
binóculo e demais acessórios. Dependendo do ambiente que pretende
visitar, pense em quais espécies poderá fotografar. Ajuda bastante
no trabalho do fotógrafo o prévio conhecimento da região
a ser visitada, assim como o conhecimento das espécies que lá
ocorrem. Saber quais as espécies mais comuns que habitam a região,
de que se alimentam, onde nidificam, a época em que elas podem ser
vistas, quando se tratar de espécies migrantes.
No campo, mantenha-se sempre alerta: olhos e ouvidos atentos e o equipamento preparado. Nunca se sabe quando uma ave poderá cruzar o seu caminho, pois elas surgem em momentos e em ocasiões muitas vezes inesperadas. Ao localizar uma espécie de interesse para fotografar, cuidadosamente disponha seu equipamento (câmera e tripé), direcione a câmera à ave, centralize-a e dê alguns clicks para garantir. Se ela estiver longe, tente se aproximar mais, vagarosamente e faça nova seqüência de clicks até ficar satisfeito ou até que ela fuja (o que acontecer primeiro). Fotografar uma espécie difícil ou rara constitui recompensa do esforço do fotógrafo! Para encontrar aves use suas habilidades de observador de aves. Caminhe, observe e espreite. Caminhe portando sempre a câmera e o tripé, juntos. Tão logo aviste uma ave, procure aproximar-se cautelosamente, o máximo que puder. Algumas vezes será necessário caminhar e se esconder, caminhar e se esconder... Faça a sua seqüência de fotos.
Dicas
para fotografar aves no campo
A seguir, vão algumas dicas para os aficionados em aves, que querem
eternizar suas observações e visões de aves, através
da fotografia. Se você pretende se especializar em fotografar animais
silvestres, aqui vão algumas dicas:
(1) fazer um curso de fotografia para obter conhecimento da técnica e aprender a dominar a câmera e a usá-la com todos os seus recursos, principalmente nos dias de hoje, com a grande quantidade de máquinas digitais que aparecem no mercado, cada uma delas com uma gama de recursos novos;
(2) adquirir equipamentos essenciais como câmera, teleobjetivas de longo alcance, tripé, flashes, filmes (para máquinas fotográficas analógicas) ou cartões de memória de grande capacidade (para máquinas digitais);
(3) observar os hábitos e comportamento das aves e obter informações sobre elas e o meio onde elas vivem, tanto através de incursões na mata, quanto em consultas a profissionais ou da leitura de livros e de artigos sobre o assunto. Estes são os primeiros passos. Boa dose de paciência, de desprendimento e de dedicação são determinantes.
(4) o melhor horário para fotografar. A maioria das aves é ativa nas primeiras horas da manhã e no final da tarde, e é nesses momentos que elas se mostram mais e possibilitam maiores chances de uma boa foto. No entanto, é nestas horas que a luz ambiente é tênue, o que agrava o problema da falta de luz para fotografar espécies florestais. Ambientes abertos como beiras de rios, de lagos; campinas, capoeiras e orlas de mata, permitem melhores condições de se fotografar. Após uma chuva, quando o tempo melhora, costuma-se ter bons resultados, também, independente da hora. Dias frios são melhores pra fotografar que dias quentes. Dias nublados são melhores que dias com muito sol. Chuva e vento são péssimos para se procurar por aves.
Comedouro
e espera.
Atraia aves com alimentadores naturais, comedouros e com bebedouros. Monte
sua câmera fotográfica e espere as aves chegarem a eles. Seu
comedouro (ou birdfeeder) de quintal é um meio fácil de aproximá-las.
Este recurso é ideal para aves menores, como a maioria dos beija-flores
e Passeriformes.
Esconderijos.
O uso de uma tenda, de um abrigo natural ou de uma manta camuflada permite-lhe
chegar bem perto das aves sem ser visto no ambiente natural e sem as perturbar.
Estes são os meios de aproximação mais éticos,
do fotógrafo, especialmente se as aves estiverem no ninho chocando
ou alimentando suas crias.Procure tirar o máximo proveito da cobertura
natural.

|
Código
de ética da Fotografia de Aves |
Para o perfeito exercício da fotografia, você deve levar em consideração
a os Princípios Éticos da Observação de Aves.
Isto porque, dependendo do seu comportamento, você poderá ou
não causar tensão e estresse desnecessário à ave
que está tentando fotografar. Veja aqui, como fazer isto de forma ética:
1) –
Obedeça todos os regulamentos relativos a fotografia em áreas
públicas e particulares. Evite surpresas esagradáveis, informando-se
com antecedência.
2) – Fique bem atrás, pelo menos 10 metros de ninhos, de poleiros,
de áreas de exibição e de alimentação.
– Nunca interfira na atividade de uma ave.
3) – Se você tem que se aproximar muito use uma tenda ou outro
esconderijo.
4) – Nunca perturbe o habitat, quebrando árvores ou arbustos
para ter uma visão melhor deles, pois com isso, você permitirá
também que os predadores tenham fácil acesso a eles.
5) – Use luz artificial de flash com bastante cautela. Quanto mais próximo
chegar da ave, mais cautela você eve ter. Seja sempre um observador
responsável. Se você estiver em dúvida não fotografe.
As aves agradecem!